Uma operação da Polícia Civil voltou a causar grande repercussão nesta semana após a prisão da ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas (RS), Paula Lopes. Ela é investigada por integrar um suposto esquema que teria arrecadado dinheiro por meio de campanhas nas redes sociais para tratamentos de animais, enquanto centenas deles acabavam sendo submetidos à eutanásia.
A prisão aconteceu durante a segunda fase da Operação Carrasco, realizada nesta segunda-feira (15). Além da ex-secretária, dois médicos-veterinários também foram presos preventivamente. As investigações apuram possíveis crimes de maus-tratos a animais, associação criminosa e estelionato.
Segundo a Polícia Civil, Paula utilizava sua imagem pública ligada à proteção animal para sensibilizar pessoas e arrecadar recursos destinados ao tratamento de cães e gatos resgatados. No entanto, a apuração aponta que parte desses animais teria sido sacrificada mesmo quando ainda existiriam alternativas médicas de tratamento.
A prisão ocorreu na sede do instituto mantido pela investigada, em Porto Alegre. Durante a ação, policiais apreenderam celulares, computadores e diversos documentos. Um cão debilitado, sem as patas dianteiras e frequentemente utilizado em campanhas de arrecadação, também foi recolhido pelas autoridades.
De acordo com os investigadores, o suposto esquema teria continuado funcionando mesmo após a exoneração de Paula da Secretaria de Bem-Estar Animal, ocorrida em julho de 2025. A polícia afirma ter encontrado situações em que animais apresentados ao público como pacientes em tratamento já estariam sendo encaminhados para eutanásia.
Um dos casos analisados chamou atenção dos investigadores. Conforme a apuração, uma médica-veterinária teria questionado a necessidade de exames complementares antes da decisão pelo procedimento. Ainda assim, segundo o inquérito, a orientação recebida teria sido seguir diretamente com a eutanásia. Paralelamente, campanhas de arrecadação continuavam sendo divulgadas para custear um tratamento que, segundo a investigação, já não seria realizado.
Os números levantados pela polícia impressionam. Em apenas oito meses de gestão, cerca de 498 animais teriam sido submetidos à eutanásia. Agora, os investigadores trabalham para identificar quantos desses procedimentos ocorreram sem justificativa clínica adequada.
Outro dado que chama atenção envolve as arrecadações. Conforme a investigação, o instituto ligado à ex-secretária realizou 549 campanhas de doação desde 2020, arrecadando mais de R$ 672 mil por meio de contribuições feitas por aproximadamente 14,5 mil pessoas.
A Polícia Civil segue analisando documentos, prontuários veterinários e registros financeiros para esclarecer o destino dos recursos arrecadados e verificar se houve irregularidades nos procedimentos realizados. Os investigados terão direito à ampla defesa, e o caso continua sob investigação.


