Uma doença rara, mas extremamente grave, voltou a chamar atenção após casos registrados em um navio de cruzeiro internacional e a confirmação de uma morte por hantavírus em Minas Gerais. Apesar de pouco conhecida, a hantavirose circula no Brasil há mais de 30 anos e apresenta uma das maiores taxas de mortalidade entre doenças infecciosas no país.
Segundo dados do Ministério da Saúde, quase metade das pessoas infectadas não resiste à doença. Entre 1993 e 2025, foram confirmados 2.429 casos no Brasil, com 997 mortes registradas. Somente em 2026, o país contabilizou sete casos e uma morte até o fim de abril.
A doença é transmitida principalmente pelo contato indireto com fezes, urina e saliva de roedores silvestres infectados. A contaminação acontece, na maioria das vezes, pela inalação de partículas presentes em locais fechados, pouco ventilados ou em áreas rurais.
Os estados com maior número de ocorrências são São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso. Especialistas apontam que trabalhadores rurais estão entre os mais expostos, principalmente em atividades ligadas à agricultura, armazenamento de grãos e limpeza de galpões.
Os sintomas iniciais podem ser confundidos com gripe, dengue ou Covid-19, incluindo febre, dores no corpo, dor de cabeça e cansaço. O problema é que a doença pode evoluir rapidamente para um quadro respiratório grave, causando dificuldade para respirar, queda de pressão e insuficiência pulmonar em poucas horas.
Apesar do alerta internacional após os casos em um navio de cruzeiro que saiu da Argentina, especialistas reforçam que a cepa identificada no episódio não circula no Brasil. O vírus encontrado no navio foi o hantavírus Andes, registrado principalmente na Argentina e no Chile e que, diferentemente das variantes brasileiras, pode apresentar transmissão entre pessoas em situações muito específicas.
Mesmo assim, infectologistas afirmam que não existe risco de uma pandemia semelhante à Covid-19, já que a transmissão do hantavírus é muito mais limitada.
Atualmente não existe tratamento antiviral específico para a doença. O atendimento é baseado em suporte médico intensivo e diagnóstico rápido. Por isso, autoridades reforçam a importância de procurar atendimento médico ao surgimento dos primeiros sintomas, especialmente após contato com ambientes infestados por roedores.
Como forma de prevenção, o Ministério da Saúde orienta evitar contato com ratos silvestres, manter alimentos armazenados corretamente e umedecer locais fechados antes da limpeza para evitar que partículas contaminadas se espalhem pelo ar.


