O prefeito de Nossa Senhora do Livramento (MT), Thiago Gonçalo Lunguinho de Almeida (União), denunciou a própria mãe, de 52 anos, por suspeita de aplicar golpes financeiros utilizando o nome dele para arrecadar dinheiro que, segundo a investigação, era destinado a apostas em jogos de azar, como o conhecido “jogo do Tigrinho”.
De acordo com a Polícia Civil, 14 possíveis vítimas já foram identificadas, e os prejuízos financeiros ultrapassam R$ 913 mil. Do total, nove pessoas decidiram representar criminalmente contra a investigada — oito por estelionato e uma por falsa identidade.
O delegado responsável pelo caso, André Monteiro, informou que a mulher foi interrogada e admitiu ser dependente de jogos. Segundo ele, a investigada responde ao processo em liberdade, já que não houve flagrante, mas as investigações continuam e novas medidas cautelares podem ser adotadas.
Em entrevista, o prefeito relatou que começou a desconfiar da situação quando passou a ser procurado por pessoas cobrando valores. Segundo ele, a mãe se aproximava das vítimas oferecendo supostos negócios com promessa de alto retorno financeiro e utilizava o cargo do filho para dar credibilidade, afirmando que as negociações teriam respaldo da prefeitura — o que, segundo Thiago, nunca ocorreu.
Ainda conforme o relato, o esquema teria funcionado por cerca de um ano. No início, os valores solicitados eram menores e os acordos eram cumpridos, o que aumentava a confiança das vítimas. Com o tempo, as quantias cresceram e o nome do prefeito passou a ser citado com mais frequência.
A Polícia Civil apura o uso de cheques com assinaturas falsificadas, além de montagens de conversas de WhatsApp para convencer as vítimas. Thiago afirmou que entregou à polícia extratos bancários, documentos e mensagens que, segundo ele, comprovam que não participou das negociações.
O prefeito também relatou que tentou internar a mãe em clínicas de reabilitação por conta da dependência em jogos, mas sem sucesso. Diante da continuidade dos golpes, ele afirmou ter solicitado internação compulsória. Após tomar conhecimento da medida, a investigada teria fugido e estaria em local desconhecido.
Após o episódio, a mulher registrou um boletim de ocorrência contra o filho e solicitou uma medida protetiva, inicialmente concedida pela Delegacia da Mulher. O caso segue sob investigação.


