O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), pastor e fundador da igreja Ministério Missão de Vida, criticou duramente a operação policial que deixou mais de 120 mortos no Rio de Janeiro. Em discurso no plenário da Câmara, na quarta-feira (29), ele afirmou que nem todas as vítimas eram criminosas.
“‘Ah, só morreu bandido?’ Não é quem está falando aqui, é um pastor. Só de filhos de pessoas da minha igreja, eu sei que morreram quatro. Meninos que nunca portaram um fuzil. Mas estão sendo contados no pacote como se fossem bandidos. E sabe quem vai saber se são bandidos ou não? Nunca, porque preto correndo em dia de operação na favela é bandido”, declarou o parlamentar.
A Operação Contenção, conduzida pelas polícias do Rio de Janeiro na terça-feira (28), ocorreu nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da capital. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o objetivo era capturar lideranças do Comando Vermelho.
O balanço mais recente aponta 121 mortos, entre eles quatro policiais. A ação é considerada uma das mais letais da história do estado e tem gerado intensa repercussão por possíveis abusos e execuções durante a ofensiva.
Otoni de Paula, que também é pastor evangélico, cobrou investigação imparcial sobre as mortes e afirmou que o combate ao crime não pode justificar a morte de inocentes: “O Estado tem o dever de proteger, não de exterminar”.


